segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

CATEQUISTA: CONSAGRAÇÃO PERPÉRTUA AO AMOR

 

Antes do seu amor chegar

Um outro amor já me encontrou

E me envolveu com tanta luz

Que já não posso me esquecer

(Marcas do Eterno[1] – Pe. Fábio de Melo)

 


Deus é amor e devemos nos consagrar a Ele, com temor. Não pelo medo, mas pelo profundo respeito, pela santa reverência e união íntima. Temor, é antes de tudo, DOM do Espírito Santo. Não perpassa por servidão aniquilante, mas pela filialidade. Esse temor nasce da contemplação da majestade, santidade e amor incondicional de Deus. Diante da grandeza divina, o indivíduo sente uma humildade profunda e uma reverência que o impede de agir de qualquer forma que possa desonrar a Deus.

O temor de Deus age como um escudo, movendo a pessoa a dizer "não" às tentações e a fugir de tudo o que possa separá-la de Deus. Não é motivado pelo medo do inferno, mas pelo desejo de permanecer na graça e na presença de Deus.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica (nº 1830-31), sete são os dons do Espírito Santo. Estes dons admiráveis que, na Sagrada Escritura, foram descritos pelo Profeta Isaías (11,2) são: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. São estes dons infusos que recebemos em plenitude nos sacramentos do batismo e da crisma, que sustentam a vida moral dos cristãos, por meio de disposições permanentes, que tornam o homem dócil aos impulsos do Espírito Santo. Os dons do Espírito Santo, que também são chamados de dons de santificação, são infusos em nossa alma por Deus, e nela habita para nos tornar dóceis à ação de Deus, no caminho da perfeição (SILVA, s/d).

Para os místicos (pessoas de profunda e singular relacionamento com o Sagrado), o temor de Deus é uma virtude essencial e um dom que, longe de oprimir, liberta a alma para amar a Deus de forma mais plena e profunda, culminando na união mística. Abaixo, elenco algumas dessas pessoas e, suscintamente, apresento suas experiências com o Eterno.

   

Santa Maria do Egito

 

Quando jovem, ela era promíscua e gostava de sexo. Mas depois de rejeitar o mundo e passar 47 anos vivendo nua no deserto, essa mulher de pele escura tornou-se uma professora sábia e virtuosa das escrituras cristãs (FERGUSON, 2025).

Santa Maria do Egito, a Penitente, havia encontrado, no deserto com Deus, a paz que o mundo não pode dar (cf. Jo 14, 27). Dali ela seguiria rumo à Jerusalém celeste, sim; rumo à Terra Prometida do Céu, onde não há luto, nem lágrimas, nem dor, nem escuridão. Mas já aqui, através da fé, ela pôde experimentar um prelúdio de tudo isso — e de ter entregado sua vida ao Amor ela não poderia arrepender-se jamais (RICARDO, 2019).



Por diversão e curiosidade fútil, Maria decidiu acompanhar os romeiros que se dirigiam à Terra Santa para a “Festa da Santa Cruz”. Ao chegar à porta da igreja, entretanto, não conseguiu entrar. A multidão passava por ela e ia para o interior do templo sem nenhum problema, mas ela não conseguia pisar no solo sagrado. Uma força invisível a mantinha do lado de fora e, por mais que tentasse, suas pernas não obedeciam a seu comando (AOSSC, 2024). Com a graça do Senhor ela pôde se arrepender e se propor a um caminho de purificação (SHALOM, 2010).

Santa Maria Egipcíaca ensina-nos que a misericórdia alcança a todos que desejam, que todos podemos nos converter e mudar de vida e que a penitência é uma ferramenta essencial para a nossa conversão e Santidade (ALIANÇA DE MISERICÓRDIA, 2024).

 

                                                                                                  Santa Maria Egipcíaca, rogai por nós!

 São Francisco de Assis

 

 Foi na contemplação, na oração e na escuta atenta e silenciosa de nosso Deus, que São Francisco fez a experiência da minoridade de Deus na humanidade. Deus em sua grandeza infinita se fez pequeno, pobre, se esvaziou ao assumir a condição humana em Jesus de Nazaré (SILVA, s/d).

Ele castigava[2] o próprio corpo, acreditando que assim, dominaria as paixões desordenadas, educaria o espírito e purificaria a alma. No entanto, ele termina sua vida, pedindo perdão ao seu corpo, a quem chamava de irmão. Este episódio ocorreu no leito de morte de Francisco.




O Santo de Assis pediu perdão ao seu corpo por tê-lo tratado com excessivo rigor e penitências severas ao longo de sua vida, na busca por uma maior intimidade com Deus e renúncia aos prazeres mundanos.  Durante sua vida, Francisco praticou jejuns rigorosos, usou cilícios e expôs seu corpo a condições extremas como forma de mortificação e para seguir os princípios do Evangelho de pobreza e simplicidade (CFFB, 2020).

Essa atitude, esse pedido de perdão, reflete a profundidade da espiritualidade franciscana, que busca a reconciliação com todas as criaturas e consigo mesmo, vendo a criação inteira como parte da família de Deus, e sobretudo, nos transporta para os braços de um Deus que quer “misericórdia e não sacrifícios” (Os 6, 6; Mt 9, 13 e 12,7).

 São Francisco de Assis, rogai por nós!

 

  Santa Teresinha do Menino Jesus

 

 Teresa de Lisieux, nasceu na França, em 02 de janeiro de 1873. Morreu no dia 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos. Sua vida, apesar de muito sofrida, sempre foi permeada da presença de Deus.

A mística de Teresinha do Menino Jesus, defendia uma abordagem da fé que via Deus nas realidades mais simples e cotidianas da vida. Sua teologia enfatizava o "pequeno caminho" da santidade, que consistia em realizar atos comuns com amor extraordinário (CANÇÃO NOVA, s/d).

Em vez de buscar grandes feitos ou milagres, ela ensinava que a santidade poderia ser alcançada através da fidelidade às pequenas tarefas diárias, deveres do estado de vida e gestos de caridade fraterna, como sorrir para alguém, ajudar em casa ou aceitar pacientemente as imperfeições dos outros. Para ela, esses pequenos sacrifícios e atos de amor eram uma forma de agradar a Deus e viver a santidade no dia a dia.

Essa "teologia do cotidiano" torna sua mensagem acessível a todos, não apenas a religiosos ou ascetas, mostrando que a vida espiritual não precisa ser extraordinária para ser profunda e significativa.

 

Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

  O que estes e outros místicos nos ensinam é amar e confiar em Deus de modo que a nossa condição de pecadores não permita sucumbir às nossas fraquezas. Dentre os pecados a serem vencidos está o orgulho (a soberba, a vaidade). O orgulho é considerado o mal supremo. Ele é antítese do amor, ele sufoca –o, destrói a caridade. É pelo orgulho o diabo se tornou diabo. A presunção exagerada leva aos outros vícios.

O orgulho pode ser definido como um estado da mente contrário a Deus. Não é o ser rico, se achar bonito ou inteligente que tornam a pessoa orgulhosa, mas em se considerar mais inteligente, mais bonito, mais rico que os outros.

Diante de Deus o orgulhoso se depara com alguém muito superior. Ele que costuma desdenhar as pessoas o fará também com Deus. Quem sempre olha para baixo não pode olhar nada que está acima. Quando dizem que amam a Deus estão adorando um deus imaginário. Ficam imaginando o quanto o seu deus os aprova e os considera melhores que os outros.

Qualquer pessoa pode cair na mesma cilada. Sempre que a nossa vida religiosa nos faz pensar que somos bons ou melhores que os outros, com toda certeza isto não vem de Deus. O sinal contrário diante de Deus é esquecer-se de si mesmo. Como adquirir a humildade? O primeiro passo é reconhecer o próprio orgulho. É um grande passo e nada pode ser feito antes disso. Se a pessoa tiver um contato com Deus, será com certeza, humilde (JÖNCK, 2019).

No fim, é preciso buscar maneiras de encontrar a serenidade e a humildade em meio às nossas frenéticas vidas, de abrir em profundidade nossa cotidianidade para poder nos submergir no ritmo tranquilo de Deus; encontrar-nos com Ele para que seja o centro de nossa vida e caminhar a seu lado.

Oxalá sejamos capazes de captar os detalhes da paisagem de nossa vida para descobrir em tudo as pegadas do Senhor! E, embora vivamos neste mundo onde tudo se move tão rápido, podemos fechar os olhos e sentir que Ele nos conduz pela sua mão (IHU, 2022).

 

  REFERÊNCIAS

 ALIANÇA DE MISERICÓRDIA. Santa Maria Egipcíaca: A misericórdia de Deus é para todos. 2024. Disponível em <https://misericordia.com.br/santa-maria-egipciaca-a-misericordia-de-deus-e-para-todos/>. Acesso em 08.01.2026.

 

AOSSC. Recanto Nossa Senhora de Lourdes. 22 de Abril: Santa Maria Egipcíaca. 2024. Disponível em <https://aossc.org.br/22-de-abril-santa-maria-egipciaca/>. Acesso em 07.01.2026.

 

CANÇÃO NOVA. Santo do Dia. Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da infância espiritual. Disponível em <https://santo.cancaonova.com/santo/santa-teresinha-do-menino-jesus-doutora-da-infancia-espiritual/>. Acesso em 08.01.2026.

 

CFFB. Conferência da Família Franciscana do Brasil. A enfermidade na vida de São Francisco e nos escritos franciscanos. 2020. Disponível em <https://cffb.org.br/a-enfermidade-na-vida-de-sao-francisco-e-nos-escritos-franciscanos-por-frei-francesco>. Acesso em 08.01.2026.

 

FADUL, Sérgio. Santa Maria Egipcíaca, ou Santa Maria do Egito. 2023. Disponível em <https://www.nsdagloria.com.br/single-post/santa-maria-egipc%C3%ADaca-ou-santa-maria-do-egito-1>. Acesso em 08.01.2026.

 

FERGUSON, Donna. A história de Maria do Egito, a santa 'promíscua' que viveu nua no deserto por 47 anos. 2025. Disponível em <https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgqv7gq8gl4o>. Acesso em 07.01.2026.

 

IHU. Unisinos. A vida espiritual dos místicos: um caminho para não sucumbir à ansiedade, ao medo e à acídia. 2022. Disponível em <https://ihu.unisinos.br/618055-a-vida-espiritual-dos-misticos-um-caminho-para-nao-sucumbir-a-ansiedade>. Acesso em 08.01.2026.

 

JÖNCK, Dom Wilson Tadeu. Orgulho, o Grande Pecado. 2019. Disponível em <https://www.cnbb.org.br/orgulho-o-grande-pecado/>. Acesso em 07.01.2026.

 

RICARDO, Padre Paulo. A prostituta barrada na porta da igreja. 2019. Disponível em < https://padrepauloricardo.org/blog/a-prostituta-barrada-na-porta-da-igreja>. Acesso em 07.01.2026.

 

SHALOM. Santa Maria Egipcíaca. 2010. Disponível em <https://comshalom.org/santa-maria-egipciaca/>. Acesso em 08.01.2026.

 

SILVA, Irmã Ana Maria H. Francisco Irmão Menor. Disponível em <https://ihu.unisinos.br/618055-a-vida-espiritual-dos-misticos-um-caminho-para-nao-sucumbir-a-ansiedade>. Acesso em 07.01.2026.

 

SILVA, Natal. O temor a Deus. Disponível em <https://santuario.cancaonova.com/formacao/o-temor-deus/>. Acesso em 08.01.2026.

 



[1] https://www.letras.mus.br/pe-fabio-de-melo/1193923/

[2]et frater corpus, in oratione et vigiliis et aliis bonis operibus anime vellet esse pigrum, negligens vel somnolentum, quod ipsum castigare debet tamquam malum et pigrum armentum, quia vult comedere et non vult lucrari, nec honus portare” (e o irmão corpo, na oração, nas vigílias e em outras obras boas da alma quiser ser preguiçoso, negligente e sonolento, deve castigá-lo como um animal mau e preguiçoso, porque quer comer e não produzir nem carregar a carga) – FONTE: https://www.capuchinhosrs.org.br/cboeste/franciscanismo/fontes-biograficas/legenda-perusina/96-irmao-corpo.

 

quarta-feira, 4 de junho de 2025

FORMAÇÃO DE CATEQUISTAS: Ministério da coordenação

 

1.   Introdução

 

A Catequese nos últimos anos deu passos significativos. Em toda parte percebe-se um fervilhar de novas experiências e métodos mais adequados que nos orientem na caminhada. Este processo de renovação depara-se com alguns desafios: a catequese não pode ser uma simples iniciativa baseada na boa vontade, na improvisação. Disso decorre a necessidade de pensar, organizar e atualizar a catequese, buscar novos rumos, animar os catequistas, criar um clima humano-afetivo.

Surge assim a missão do coordenador do qual depende, em grande parte, a dinâmica e a renovação da catequese numa comunidade. Coordenação vem da palavra “co-ordinatione” que significa: dispor certa ordem ou método”, organizar o conjunto, por em ordem o desconjunto. É uma “co-operação”, uma ação de “co-responsabilidade entre os iguais”. A coordenação promove a união de esforços, de objetivos comuns e de atividades comunitárias, evitando o paralelismo, o isolamento na ação catequética.

O ministério da coordenação tem por finalidade criar relações, facilitar a participação, desenvolver a sociabilidade, levar à cooperação, comprometer na co-responsabilidade, realizar a interação e tornar eficaz o conjunto da caminhada catequética. A catequese renova-se mais rapidamente, especialmente no mundo urbano, quando uma comunidade investe na equipe de coordenação e esta assume sua missão articuladora, animadora da catequese .

A Palavra Ministério, no Aurélio significa cargo, incumbência, função ou então carisma, força divina conferida a uma pessoa em vista da necessidade de uma Comunidade ou de um grupo. E coordenar é fazer com que as atividades catequéticas tenham começo, meio e fim para que haja maior aproveitamento do grupo. Não há receitas prontas; é necessário viver a coordenação, treinar a coordenação.

 

2. O Exemplo de Jesus

 

Nesse sentido o MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO reveste-se de uma mística, de uma espiritualidade, de uma missão. Coordenar é integrar, animar, avaliar, revisar, celebrar, incentivar a caminhada da catequese. O ministério da coordenação é o serviço que mantém viva a caminhada da catequese em sintonia com as opções diocesanas, paroquiais, e segundo as exigências de uma catequese renovada. E o coordenador encontra seu modelo, sua inspiração e a fonte de graça para exercer seu ministério na Pessoa de Jesus.

Cristo não quis assumir sua missão sozinho. Fez-se cercar do grupo dos doze (Mt 1,16-20; 3,13-19; Jo 1,35-51). Com eles foi criando a Comunidade. A sua primeira preocupação foi com as pessoas, procurando estabelecer um relacionamento de amizade, conquistando a confiança de cada um e procurando torna-los dignos de sua confiança. “Chamei vocês de amigos, porque tudo que ouvi do meu Pai eu vos fiz conhecer”(Jo 15,51). 

Assim Jesus ia tecendo lentamente uma rede de relacionamentos interpessoais. Conhecendo as pessoas pelo nome, respeitando o modo de ser de cada uma. Diante dos desafios da realidade do povo sofrido, chama os discípulos a responsabilidade. Dai-lhes vós mesmos de comer (Mc 6,37). Os Evangelhos nos mostram que várias atitudes de Jesus caracterizam-se por um amor cordial e concreto pelas pessoas. Vejamos algumas situações:

 

a)   Jesus conhece as pessoas e as aceita como são. Parte daquilo que são os discípulos, e não daquilo que deveriam ser para conduzir cada um a um crescimento cada vez mais profundo (Jo 20, 27; Lc 22, 61; Lc 24, 13-35).

 

b)   Jesus exerce sua autoridade com caridade. É aquele que serve ( Jo 13, 1-20). “Eu não vim para ser servido, mas para servir” (Mc 10, 45). Para Jesus, todos têm uma caminhada a fazer, uma conversação a realizar, uma esperança a construir. A grande norma do grupo é o mandamento do amor.

 

c)   Jesus situa-se dentro da comunidade e a dirige com amor. A presença de Jesus é viva no meio da comunidade. Ensina a partilhar e ser solidário em tudo (Jo 6, 1-15).

 

d)  Jesus fala da necessidade de sua paixão e convida seus discípulos a partilhar sua Cruz, vivida e assumida na fé e na esperança, porque passando por ela constrói-se o Reino (Lc 9, 22-26).

 

e)   Jesus criou uma comunidade para a Missão. A comunidade é um caminho de crescente fraternidade e abertura para a missão. O apóstolo Paulo nos alerta (Rm 10, 9-21) para que tenhamos os mesmos sentimentos de Jesus Cristo. Isto é, que a nossa missão de coordenadores não seja uma forma de vanglória e nem um fardo nos ombros dos outros, mas que seja uma continuidade da missão de Jesus Cristo na edificação do Reino.


3. Perfil do Coordenador

 

O Ministério da Coordenação é o serviço que suscita e integra através de ações concretas as forças vivas da catequese: pároco, catequistas, pais, catequizandos e as outras pastorais. Este ministério deve ser exercido com alegria, como uma fonte de espiritualidade, como um serviço em prol do Reino: animando os catequistas, abrindo novos horizontes, atualizando-se continuamente, estando em sintonia com as orientações diocesanas, criando um clima de acolhida, partilha e confiança. Desse modo, a catequese surge como luz na comunidade. Existem diversas maneiras de exercer o ministério da coordenação. Dentre elas destacamos as seguintes:

 

·        Coordenação centralizadora – sobressai a função. Não divide tarefas. Não confia totalmente no grupo. Normalmente uma coordenação centralizada é autoritária, por vezes distante da caminhada da catequese e dos reais problemas dos catequistas, dos catequizandos, dos pais e da comunidade cristã. Numa coordenação centralizada, com facilidade surgem os descontentamentos, as divisões, os subgrupos, o desânimo e as desistências.


·       Coordenação fraterna, democrática – caracteriza-se pelo serviço pela animação, pela distribuição das tarefas, pela confiança nos catequistas, pelo amor aos pais dos catequizandos, pela vivência comunitária, pela preocupação com a formação dos catequistas, pelo relacionamento humano, afetivo, carinhoso, alegre, mesmo nos erros e nas tensões. Acolhe as sugestões, aceita com humildade as críticas, aponta sempre uma luz nas horas de tensões. Acima de tudo, elabora um projeto catequético participativo capaz de gerar um processo de educação da fé na comunidade.

4. Atribuições da Coordenação

 

O coordenador é aquele que acredita na missão de comunicador e transmite a mensagem com entusiasmo contagiante, fazendo com que todos os membros da equipe tenham coragem, tomem decididamente iniciativa e consigam vencer as dificuldades inerentes ao empreendimento.

O Coordenador é um Animador.  Animar significa dar vida, criar ambiente propício para o crescimento das pessoas e para que a comunidade alcance os objetivos próprios. Animar significa incentivar o crescimento da amizade entre as pessoas do grupo, propondo e abrindo caminhos para a esperança, sustenta a ação.

Para acontecer tudo isso, deve procurar participar de treinamentos, buscando uma crescente formação na arte de coordenar. Elaborar, de maneira participativa, o projeto para a catequese, destacando o objetivo, planejamento participativo, as ações concretas, as reuniões avaliações periódicas. Promover bom relacionamento entre as pessoas para que caminhem de mãos unidas. Valorizar as experiências pessoais e grupais, promovendo novos líderes dentro do grupo.

Além disso, deve contornar conflitos entre catequistas, pais, catequizandos e membros da Comunidade, estando sempre aberta para o pluralismo e para enfrentar as resistências, incentivar os membros da comunidade para que se sintam responsáveis, assumindo também a missão catequizadora. Preparar junto com o Padre e com os catequistas, um programa de formação e acompanhamento dos catequistas. Providenciar o material necessário para o bom andamento da Catequese. Ser presença, força, apoio, estímulo aos catequistas novos e jovens.

 

Portanto:

Coordenar é servir em lugar de dominar;

Coordenar é buscar os pontos comuns em função da unidade.

Coordenar é incentivar a participação de todos;

Coordenar é administrar os conflitos e as tenções.

 

 

Para Refletir:

O que entendemos por Ministério da Coordenação?

Qual a missão a ser cumprida pela Coordenação da Catequese?

Que qualidades e atitudes são necessárias a quem exerce este ministério?

De que maneira posso ajudar a melhorar o jeito de coordenar a catequese na minha Paróquia?

 

 

 

OBSERVAÇÃO: O texto acima foi adaptado de “Dicas para a Coordenação da Catequese” (disponível em <https://www.catequistasemformacao.com/2015/11/dicas-para-coordenacao-da-catequese.html>, acessado em 04/06/25) e de “A coordenação da catequese” disponível no site  https://www.catequesehoje.org.br , acessado em 04/06/25), por Eduardo Melo.

terça-feira, 3 de junho de 2025

O MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO CATEQUÉTICA

 Por Eduardo Melo


A raiz do ministério encontra-se no Primeiro Testamento – mesaret – (servidor, ministro, sacerdote) e é reforçada, no Novo Testamento, pela palavra diakonos (diácono). Ambos os termos apontam para funções sagradas de serviço religioso exercida pelo povo de Deus ao longo de sua caminhada (CALANDRO; LEDO, 2015). Os ministérios (catequistas, ministros, etc) devem se realizar em pleno sentimento de humildade (cf. Mq 6,8;  Fl 2, 5-8; Mt 18, 4).

As Sagradas Escrituras nos exortam a colocar nossos dons à disposição dos irmãos e irmãs (cf. 1Pd 4,10). Tendo essa orientação bíblica, é preciso compreender que coordenar, nada mais é que dispor dos nossos talentos para o crescimento da comunidade (CALANDRO; LEDO, 2015) e nas definições do Concílio Vaticano II, o catequista (e consequentemente o/a coordenador/a), é um facilitador da ação do Espírito Santo na vida de cada pessoa e no processo de conversão ao Senhor Jesus (CARVALHO, 2015).

De origem latina, a palavra coordenar (co + ordinatio) designa a ação de organizar o conjunto ou por em ordem o desconjunto. Isso exige corresponsabilidade entre os iguais na animação, condução, orientação, celebração, motivação, renovação, transformação e serviço da comunidade (CARVALHO, 2015). Mas, exercer o Ministério da Coordenação, não significa ter o poder de decidir tudo, mandar em todos, caminhar sozinho, ser o dono da verdade. Coordenar é antítese de tudo isso.

Quando o assunto é coordenação, precisa-se entendê-la como “o serviço que suscita e integra, por meio de ações concretas, as forças vivas da catequese: pároco, catequistas, pais, catequizandos e outras pastorais” (CALANDRO; LEDO, 2015, p.38). Por se tratar de uma ação em conjunto por excelência,  a catequese se faz e se pratica sempre em equipe (cf. Mc 1, 16-20). Nela não deve haver ocasiões para o isolamento, o individualismo e o egoísmo. Assim, Jesus, nosso Mestre e Senhor, pedagogicamente, utilizava-se do trabalho em equipe para atender à vontade do Pai e cumprir sua missão.

O ministério exige dos coordenadores uma disponibilidade à missão. Ser catequista e coordenar o processo catequético são serviços essencialmente missionários. Convém aos envolvidos nessa ação de missionariedade, “buscar nas ciências modernas os meios para melhor organizar e planejar a vida catequética da paróquia ou da diocese” (CARVALHO, 2015, p. 76).

O serviço da coordenação catequética exclui, absolutamente, toda forma de disputa de poder. Ele valoriza, na verdade, o protagonismo das pessoas envolvidas no processo de evangelização: catequistas, catequizandos, famílias e comunidade eclesial (CALANDRO; LEDO, 2015). Além disso, utiliza-se do diálogo para adentrar os corações, pois este, gera aprendizado mútuo, promove conversão pessoal, transformação da vida, alimenta a fé e fortalece a missão (CNBB, 2017).

A postura do/a coordenador/a ou da equipe de coordenação na Paróquia (ou Diocese) deve ser de liderança, ou seja, ter a preocupação e o cuidado para que todos e todas “estejam caminhando na mesma direção” (CARVALHO, 2015, p.75), tendo como meta Jesus Cristo. A pessoa investida no serviço de coordenador de catequese, precisa inserir-se numa dinâmica perene de caridade, fraternidade e comunhão. Ela deve ser capaz de distribuir tarefas, inspirar confiança, viver em harmonia na comunidade e ainda, saber acolher críticas e sugestões, zelar pelo crescimento espiritual dos seus liderados, catequizandos e dos seus pais (CARVALHO, 2015).

O ministério de catequista (e de coordenador/a) deve ser fecundo em concórdia, na pacificação de conflitos, na resolução de problemáticas e, ainda, na construção de pontes para relacionamentos interpessoais não fragmentados, onde reine a comunhão fraterna e o amor – a maior de todas as virtudes teologais (cf. 1 Cor 13,13). O/a catequista que não ama, não pode exercer o ministério, pois este é o mandamento fundamental de Jesus (cf. Jo 15,9-12), distintivo da nossa fé cristã (cf. Jo 13,35), dispensador da verdade do nosso coração e termômetro de santidade (cf1 João 4, 20).

A caridade é ainda, a mais básica das virtudes. Pode-se afirmar também que ela é a mãe de todas as virtudes. Ser caridoso é doar-se total e integralmente ao próximo. Não se resume em mero ato piedoso, filantropo ou ideológico. Ela é amor vivenciado, experienciado, traduzido em gestos concretos e encarnado nas diversas situações e realidades da vida (CARVALHO, 2015). A caridade é amor e Deus é caridade (cf.1 Jo 4, 8.16).

Faz-se mister (re)lembrar que “a coordenação da animação bíblico-catequética deve estar sempre em sintonia com o pároco” (CALANDRO; LEDO, 2015, p.61) e para atuar de maneira condizente com os valores do Evangelho, mediante as orientações da Igreja, o(a) coordenador(a) ou coordenadores da catequese, precisa(m) apresentar requisitos fundamentais, a saber:

a)    Formação humana e social;

b)   Dinamismo;

c)    Entusiasmo com a vida eclesial;

d)    Testemunho de vida;

e)    Espiritualidade;

f)      Vivência sacramental;

g)    Equilíbrio psicológico;

h)   Capacidade de liderar equipes;

i)      Afetividade;

j)      Amor pela Casa Comum;

k)    Espírito de fé e oração;

l)      Lealdade aos ensinamentos de Jesus e da Igreja.

 

Além disso, cabe a equipe (ou equipes) de coordenadores da catequese, reunir-se periodicamente, para rezar, aprofundar a espiritualidade católica, estudar os documentos da Igreja, pensar e refletir sobre a situação da animação bíblico-catequética na paróquia, e, avaliar frequentemente o processo de educação da fé (nas comunidades) por meio de visitas, encontros e assembleias.

 

 REFERÊNCIAS

 

CALANDRO, Eduardo; LEDO, Jordélio Siles. O ministério da coordenação da animação bíblico-catequética. São Paulo: Paulus, 2015.

CARVALHO, Humberto Robson de. Ministério do catequista: elementos básicos para a formação. São Paulo: Paulus, 2015.

CNBB. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários. Edições CNBB, 2017.




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