quarta-feira, 27 de julho de 2011

MARIÁPOLIS 2011



Minhas Impressões

Ao sairmos de Canindé fiquei muito desapontado em saber que o grupo da Palavra de Vida, que eu participo, foi para a cidade de Maria (a cidade do amor) todo fragmentado.
Para piorar eu sentia dentro de mim um grande temor (pois era um encontro diferente de todos aqueles que já havia participado). Afinal coisas novas nos causam certo medo!
 Na noite que antecedeu a viagem, fui acometido por questionamentos sérios: SERÁ QUE É DIFÍCIL AMAR PESSOAS CONHECIDAS... E CHEIROSAS, E RICAS, E BEM VESTIDAS, E ELEGANTES, E... E...E... Que estavam congregadas num hotel belíssimo e muito confortável? Que desafios eu teria nessas condições favoráveis ao amor? (pensava eu). Pensava ainda: será que isso pode ser unido a Jesus Abandonado?  Ou será que só atos como os de Chiara (amar entre os horrores da guerra) e Madre Teresa (amar em meio à pobreza extrema) poderiam ser intrínsecos a Jesus Solitário na cruz? Essas perguntas me moveram e destruíram o meu medo. Eu precisava dessas repostas. E fui atrás delas!
Chegado o dia da graça e da verdade, o dia da revelação e do amor. Ao entrar no ônibus a certeza que eu tinha era: volto renovado, transformado, novo em algo! Viagem longa e cansativa. Mas na paz de Deus, chegamos ao hotel. Assinei uns papeis lá e até hoje nem sei pra que eram (risos). O primeiro momento foi o almoço, deste nada tenho a dizer, pois estava tão enjoado da viagem e tão cansado que meu cérebro não guardou nada.
Terminado o almoço fomos para os quartos, fui o primeiro a chegar no apartamento 219. Lá iriam ficar comigo mais quatro irmãos. Mais um “medo” a ser enfrentado. Quem seriam esses irmãos desconhecidos que dividiriam o quarto e as suas intimidades (de certa forma) comigo? Rezei. Pedi. E dormi (afinal o cansaço me obrigava a dormir). Ao acordar já tinha chegado dois dos quatro companheiros. Uma bênção... ou melhor duas bênçãos! 
Participamos da primeira missa na Cidade do Amor, celebrada pelo meu pastor Dom Mário. Até aí estava super fácil dar “UM SIM AO AMOR DE DEUS” (tema da Mariápolis 2011). Apesar das diferentes situações inerentes de cada participante, aliás, de cada habitante dessa cidade localizada na região geográfica do coração do Pai, a união era uma coisa magicamente bela! Era como que um laço que envolve os componentes de uma família. No caso, a grande família de Deus.
Após a missa fomos ao jantar. Nunca detestei tanto uma fila como naquela noite. Beirava o desespero. E não era de fome; era que parecia que nunca chegava ao fim dela. Quanto mais as pessoas caminhavam, mais parecia que a fila aumentava. Passado o sufoco ri da situação.
Ainda não tinha despertado para o verdadeiro sentido da Mariápolis. A grande família foi dividida em pequenos grupos pré-determinados. O meu foi o grupo nove. Mais uma oportunidade de amar. Não entendi o que era aquilo, quase não falei. Foi minha primeira reunião de grupo.
No quarto um dos mariapolitas ligou a TV e quebrou um pouco o clima. Mais tudo bem! Era mais uma forma de amar! Aliás, oportunidade de amar não faltou!
Segundo dia longe de casa e longe da minha rotina. Apesar de ter dormido bem, não sabia se ficava feliz por estar quebrando a rotina e dando mais espaço ao meu amor ou se começa a me preocupar por ter deixado tantas coisas de lado. Estava um dia muito estranho. Não sei dizer o que era exatamente. Mas foi nesse dia que compreendi que Mariápolis é: FAZER ALGUNS GESTOS (MESMO QUE PEQUENOS) E TOMAR ATITUDES DE AMOR PARA COM OS IRMÃOS QUE NÃO TOMAMOS NO DIA-A-DIA. Nesse dia ouvi de alguém: “O ABANDONO EM DEUS NÃO É UMA ATITUDE PASSIVA” (Chiara Lubich). Como esse dia estranho me foi luminoso. Com dois vestibulares a vista e um curso técnico em andamento, além de um emprego público recente, eu aprendi que “O PRÓXIMO É MEU IRMÃO E NÃO MEU RIVAL!” Nesse dia nebuloso também me surge uma pergunta, duas perguntas, três perguntas, quatro... cinco...Quantas perguntas!!! Lembrei-me então do poema de São João da Cruz, Noite Escura.
Qual a vontade de Deus nessa situação, e naquela, e naquela...? Perguntava-me!  O que é na verdade minha vontade e o que é vontade do Pai? Como os cânticos me ajudaram a refletir. Eram vozes angelicais, em gargantas humanas!
No almoço, oh feliz felicidade, senti-me útil e finalmente pude amar com gestos. Arrumei junto com meu grupo (9) o restaurante do hotel. Aí sim, a alegria de servir eu senti! Amei sem medo!
Na hora de dormir, lembrei-me do irmão que eu ainda não tinha achado o botão eletrônico que liberava meu coração para sua entrada. Estavam com muita dificuldade em aceitá-lo e amá-lo. Foi muito difícil (eu quase consegui). Mas a cada dia era mais difícil. Ele e eu tínhamos pensamentos totalmente diferentes. Parece-me que precisarei de outra Mariápolis para tentar de novo!
Meditando, já deitado e luzes apagadas, percebi que estava com a sensação de que nós não falávamos muito com Deus durante uma Mariápolis, mas Deus incansavelmente falava conosco. Ouço até o eco das respostas já dadas por Ele, aos meus questionamentos, mas que a agitação da vida não permitira que eu ouvisse. Uma experiência digna de grandes místicos. Isso me deu uma fome de beleza e poesia sem precedentes. Após a oração da noite, repousei o ser no Espírito Santo e adormeci.
Ao acordar, como tinha aprendido na noite anterior, passei a ter mais confiança em Deus. E comecei a dizer pra mim mesmo: SE FOR DA VONTADE DE DEUS.... (E ia dizendo no meu íntimo que eu deveria aceitar a Sua Santa Vontade sempre).
Pra falar a verdade eu me incomodei com uma coisa; OUVI MUITO NOS TESTEMUNHOS, COISAS DO TIPO “EU AJUDEI”... “EU FIZ”, pode até não ter sido intencional mais isso me soou como a oração do fariseu no templo, que dizia Senhor eu dou o dízimo... e blá, blá, blá.... Foi estranho pra mim!
Reuniões de grupo com os jovens, reunião de jovens, reunião A/B, junção disso daquilo... Quantos momentos bons e propícios ao amor!
Terceiro dia, já estava ansioso pra ver o que me reservava aquele dia. Mais uma vez me veio perguntas como: PARA O QUE ME CHAMAS JESUS? QUAL A SUA VONTADE PRA HOJE, EM MINHA VIDA? QUANDO ME CHAMASTES EU DISSE SIM OU NÃO? Clamava ao Espírito Santo que me auxiliasse e me consolasse naquela agonia santa. Pedia também que as minhas decisões fossem guiadas sempre pela VONTADE DE DEUS.
Conclusão: Amar é muito cansativo (principalmente numa Mariápolis), mas é muito gratificante e belo. Prazeroso e revigorante. Amar é como aqueles cartões de compra que quanto mais você gasta (ama) mais o limite de compras (vontade de amar) aumenta. 
O Fórum sobre política foi muito esclarecedor e importantíssimo para que eu tome algumas decisões e reveja algumas coisas na minha vida!
“O verdadeiro ser livre é aquele que é escravo do amor”. Concluo.
Não posso esquecer-me do Mariapolital. Um momento de descontração que eu nunca tinha visto. Alegria, simplicidade, criatividade.... Amor!
Último dia. A missa foi um momento de êxtase de amor. Fui ao céu. A saída do hotel foi marcada por um gesto de uma senhora que me deu uma “lembrancinha”. Que gesto lindo. Eu fui ao céu novamente. Era um anjo a me responder: ALGUEM ME AMOU, OU ALGUÉM SE SENTIU AMADO POR MIM?
Agora é só levar a Mariápolis para minha casa. Para os meus amigos, irmãos paroquianos e a quem eu encontrar. Será difícil, mas vamos lá!
Que a Beata Chiara Luce me ajude. Amém!


Eduardo Melo




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